A corrida e eu

Olá pessoal,

Hoje o post vai ser diferente do que vocês estão acostumados a ver aqui no blog. Hoje eu resolvi contar algo mais pessoal… como foi que a corrida entrou na minha vida e como a cada nova experiência pude tirar um ensinamento diferente.

Eu sempre fui amante dos esportes coletivos… joguei basquete no colégio Marista em Ribeirão Preto por durante 8 maravilhosos anos. A bola, o adversário, as jogadas eram os motivos para que eu corresse.. e eu corria muito!! Na escola eu tive a oportunidade de participar de um campeonatinho interno de atletismo, justamente porque eu corria demais no basquete. Fui lá, disputei.. e ganhei uma das provas! Mas depois disso, não me motivei a continuar. Não me imaginava “correndo só por correr”, sabe? Não fazia muito sentido pra mim..meu negócio era a bola e a cesta!

Daí muitas idas e vindas aconteceram.. terminei o colégio, fui para a faculdade.. e acabaram-se os esportes. A minha necessidade de estudar muito na faculdade de química acabaram me afastando das atividades físicas e fiquei uns 2 anos completamente parada. Daí então acabei entrando numa academia até terminar a faculdade e a partir daí sempre que eu fazia alguma atividade física era na academia. Comecei e parei a academia inúmeras vezes no tempo em que sai da faculdade, fiz mestrado e doutorado.  Emagreci e engordei inúmeras vezes também por diversos motivos que também serão abordados em outro momento.

Mas foi durante o meu doutorado quando tive a oportunidade de morar 1 ano em Davis, na California, que eu acabei voltando de vez a fazer atividade física e quis de uma vez por todas mudar de vida.. de estilo de vida. Foi daí que um belo dia uma minha amiga, Erica, me convidou a participar da corrida Moonlight Run para correr 5 km. Fiquei surpresa com o convite e acabei aceitando só para ver como era, pela companhia. Até então, eu NUNCA tinha treinado para uma corrida.. nem sequer corria na esteira na academia… eu não suportava ficar na esteira. Eu lembro que fizemos a inscrição um pouco mais de um mês antes da corrida. Daí começamos a correr um pouco na rua após o trabalho para treinar. Eu me machuquei. Não sei se foi minha cabeça ou se era mesmo uma lesão.. mas eu sentia dor no meu tornozelo e eu ficava com medo de ficar mais sério. Eu tive um estiramento nos tendões na região do calcanhar logo que entrei no doutorado em São Paulo… com certeza causado por estresse, pouco descanso e porque eu vivia andando mega rápido nas ruas e metrôs de São Paulo. Eu estava morrendo de medo de ter aquilo denovo. Minha amiga tem asma e para ela seria um desafio ainda maior. Enfim, fomos devagar com os treinos mas não desistimos. No dia da prova de corrida começamos juntas, devagar, andamos um pouco, corremos.. fomos ajudando uma a outra. Chegou um momento em que eu estava bem descansada, já que meu condicionamento estava ok por conta da academia, e ela estava precisando parar muito por conta da respiração.. ela estava bem mas falou que eu podia ir sozinha pois ela ainda ia andar bastante. Acabei indo, dei um pique e finalizei a prova em 33:41 min.

Moonlight Run 2014 - Davis CA

Foi realmente uma sensação muito boa a de cruzar a linha de chegada. Fiquei feliz pelo meu tempo, pelo meu tornozelo não estar doendo aquele dia e pela sensação de superação. Outra coisa que eu gostei muito foi da animação do evento.. vários stands com comidinhas saudáveis, música, o pessoal todo com uma energia muito bacana! Foi muito divertido, e isso me marcou! Mesmo assim, eu ainda não havia me apaixonado pela corrida.

Enfim.. voltei para o Brasil em Setembro de 2014 e em maio do próximo ano logo terminaria o doutorado. Tentei manter as atividades físicas, a alimentação saudável.. mas acabei não conseguindo por conta de diversos motivos.. entre eles, rotina maluca, ansiedade a mil e motivação zero. Assim que terminei o doutorado, me vi novamente com 6kg a mais.. todos aqueles que eu havia perdido quando morei fora estavam me importunando novamente. Eu e meu marido entramos na academia Bio Ritmo em Santo André e iniciamos a retomar a vida saudável. Nisso, nós e um casal de amigos decidimos participar de uma prova de corrida, que seria um incentivo para nos mantermos motivados a emagrecer. Treinávamos uma vez por semana ou a cada 15 dias na USP ou em algum parque em Santo André. Era muito divertido e realmente o treinamento em grupo foi algo muito importante para nos ajudar a melhorar nosso tempo a cada treino que passava, íamos incentivando uns aos outros. Eu sentia um pouco o tornozelo as vezes, mas nada comparado ao que eu já tinha tido antes. Foi aí que eu comecei a perceber que a corrida não é um esporte tão solitário quanto eu imaginava. Além disso, a academia também oferece treinos de corrida e meu marido ia nesses treinos também alguns dias na semana.. eu ia menos por conta de não gostar muito de treinar na esteira.

Participamos da prova de 5k do Circuito Athenas em 25 de outubro de 2015. Terminamos a corrida todos muito contentes e motivados a fazer outras provas, estabelecer novos desafios! Eu fiquei extremamente feliz por terminar a prova em 28:14 min e correr sem parar 4.9 dos 5k! Dessa vez eu estava bem animada a incorporar a corrida na minha vida!

Circuito Athenas 5k 2015

Após essa prova voltei pra academia e fui retomar os treinos de corrida e logo na primeira semana machuquei denovo. Meu calcanhar direito fisgava e tinha a sensação de que não ia conseguir colocar mais o pé no chão. Aos poucos fui tratando e fazendo alguns exercícios específicos que os professores da academia me indicaram para ajudar a melhorar.. praticamente uma fisioterapia. Confesso que desanimei demais por causa disso… tinha medo de correr e meu calcanhar fisgar. Acabei parando de treinar. Até pensei que corrida não devia ser pra mim e que eu deveria desistir disso.. fazer outra coisa, sei lá.  Só que eu e meu marido já estávamos inscritos em uma outra prova, que aconteceria em um menos de um mês. Fui por ir.. não sabia o que esperar. Comecei a prova e me surpreendi… terminei feliz. Fiz um tempo pior, por volta de 30 min, andei bastante… meu condicionamento cardiovascular foi pro saco por não estar treinando, mas terminei sem dor. Daí eu percebi que o tratamento estava dando certo, o repouso surtindo efeito e que o aquecimento era extremamente importante. Todas as vezes que eu me aquecia muito bem antes de correr, na esteira ou na rua, eu não sentia nenhuma dor. Foi surgindo novamente uma esperança, bem lá no fundo, de que eu poderia mesmo correr. O problema do tornozelo estava se resolvendo, mas minha cabeça, o medo, ainda me bloqueavam.

Assim, após essa corrida eu treinava muito pouco e praticamente treinava somente na esteira, sempre com medo da lesão voltar. Saímos de férias no final do ano e só corri 3 vezes em praticamente 1 mês e meio. Repousei bastante e percebi que foi essencial para minha completa recuperação. Voltei para a academia em fevereiro desse ano e decidi voltar a fazer os treinos de corrida na academia. Sorte minha que meu marido se apaixonou completamente pelo esporte e sempre me estimula a correr, nem que seja um pouco. E, com isso, marcamos algumas provas de corrida e cada vez mais começamos a treinar com alguns amigos. Foi daí que começamos a fazer amizade também com o pessoal que costuma frenquentar as aulas de corrida e a motivação de correr começou a aumentar cada vez mais novamente. As aulas eram (e são!) realmente estimulantes e desafiadoras, não exatamente pela dificuldade da aula.. já que cada aluno segue no seu ritmo, mas pelas palavras de incentivo dos professores durante a aula e que fazem toda a diferença. Sem falar que a turma é muito bacana e com uma energia muito boa e aos poucos via que ali um puxava o outro, um incentivava o outro, mesmo que fosse somente para não faltar na aula.. Foi daí que eu me comecei a me sentir numa equipe. Aquela sensação do coletivo voltou pois vi que ali todos estavam preocupados uns com os outros, com uma competitividade saudável fazendo com que cada um tentasse superar seus obstáculos.

Então, percebi que eu mesma estava me boicotando quando mesmo antes de subir na esteira me lembrava que meu tornozelo podia doer… e ficava o tempo todo focada no tornozelo, se eu estava pisando certo, se estava doendo.. se eu aumentava ou diminuía a velocidade onde estava doendo. E esse tipo de pensamento me bloqueava para extrair tudo de melhor que a corrida estava me oferencendo. A minha vontade de treinar e encontrar o pessoal estava aos poucos conseguindo superar a minha cabeça e me fazer ficar menos tensa com relação ao tornozelo.

Outra injeção de ânimo foi ter ganho uma das inscrições para a corrida Gillette Body Running Experience que a academia estava sorteando. Essa corrida aconteceria na Ponte Estaiada em São Paulo na noite do dia 12 de março. Além disso, a galera da academia que ia participar da prova começou a organizar uma van para levar o pessoal do ABC para São Paulo. Daí ia ser mais uma festa a parte né! Só que tinha um problema.. eu e meu marido já estávamos inscritos na Etapa de Outono da Corrida das Estações, que seria exatamente na manhã seguinte! Literalmente uma maratona pra nós… mesmo assim não arregamos e enfrentamos o desafio de correr as duas provas.

Corrida Gillette 5k

Foi uma prova desafiadora, pois a largada e a chegada eram na Ponte Estaiada.. descida para começar e subida para terminar. Além disso, um bom pedaço da Marginal Pinheiros que percorremos tinha uma leve inclinação e para quem só corre no plano, já é grande coisa! Foi um super desafio pra mim.. corri bem mas tive que parar 3 vezes para me hidratar e recuperar o fôlego.. na última subida, a 300 m da chegada.. a perna já estava esgotada e pifou, tive que andar.. mas fui conversando comigo: “Não desiste agora… tá acabando.. a linha de chegada tá ali… vamos…” Coloquei uma música com uma batida muito forte e deu um tiro… foi o meu melhor tempo até hoje!

Gillette Body Run Experience 5k

No outro dia, a prova também não foi fácil. A largada da Corrida das Estações aconteceu na Praça Charles Miller, em frente ao Estádio do Pacaembu. No meio do trajeto também tinha subidas.. foi difícil mas acabei fazendo um tempo muito bom 28:08 min, considerando as minhas condições naquele dia, era mais do que esperado que eu não fizesse um tempo tão bom comparado à noite anterior. Todos me aconselharam a escolher uma das provas para fazer bem tranquila e deixar para puxar em uma só. Mas, como boa teimosa capricorniana, eu não queria ir lá para “me poupar”, tinha que valer a pena e ia valer se eu fizesse o meu melhor nas duas… e fiz. Foi daí que eu aprendi que sou mais competitiva do que imaginava. Não exatamente competitiva com relação às outras pessoas, eu não pensava em chegar antes delas.. eu queria me superar.

A última prova que vou contar foi a do Circuito Athenas 12k, dia 3 de abril em São Paulo. Nesta prova fiz o percurso de 6 km. Estava um pouco receosa com relação à distância, apesar de ser só 1 km a mais do que eu estava acostumada não é tão simples assim. Nas aulas de corrida na academia, e algumas vezes na rua eu corri 8 km já, mas numa prova a pegada é diferente, o ritmo é diferente. Enfim, cheguei lá e vi que eu tinha esquecido meu fone de ouvido em casa.. eu NUNCA tinha corrido sem música até então… era um pré-requisito pra mim. Eu estava condicionada a dosar a minha corrida baseada na batida da música. Enfim, já fui pensando que seria mais difícil. É engraçado como nos apegamos a certas coisas e achamos que esse é o motivo para o nosso sucesso ou fracasso, né? Pensei… “bom, é agora que eu vou ver do que minha cabeça é capaz”. E foi uma experiência muito interessante! Quando eu estava quase completando o terceiro km eu estava bem, com energia.. daí olhei no relógio e vi que meu tempo estava relativamente baixo.. ou seja, eu estava correndo bem rapidinho! Daí alguns segundos depois eu comecei a sentir um cansaço enorme e uma vontade maluca de andar para descansar. Simplesmente, minha cabeça me traiu! A hora que eu tive consciência do meu ritmo eu logo já associei que estava rápida demais e que logo poderia quebrar… eu quebrei! Eu tive que andar uns 100 m antes de completar o terceiro 3km.. fico me perguntando o que aconteceria se eu não estivesse de relógio e nem soubesse a distância percorrida… quem sabe eu faça esse teste! Passado os fatídicos 3k eu continuei a correr muito cansada, sabia que ainda tinha metade da prova e eu nem sabia como ia fazer para chegar correndo até o final. Teve uma hora que eu parei denovo e alguns segundos depois um moço passou por mim e disse “Vamos amiga, força!”.. eu não o conhecia mas me deu realmente força para continuar… e daí eu já não parei mais… fui cadenciando o ritmo.. me concentrando.. falando comigo mesma “Não desiste, tá acabando.. não pára agora..” até dar o tiro final. Terminei a prova em 33:42 min.. em frangalhos, mega cansada, mas com uma sensação muito boa de ter conseguido manter o pace próximo das provas de 5k. Novamente eu vi o quão importante é o incentivo das pessoas ao redor e como a minha cabeça pode me boicotar ou me levar até o final. Não preciso usar a música como muleta, eu vi que eu consigo sozinha… mas foi um debate constante comigo mesma… como se eu tivesse um anjinho de um lado e um diabinho do outro.

Corrida Athenas 6k- bela e fit by may

Enfim, a cada experiência, seja nos treinos ou nas provas, a corrida tem me proporcionado vários momentos de epifania, onde eu tenho conseguido enxergar mais sobre eu mesma. O auto-conhecimento tem melhorado demais e hoje tenho mais consciência dos meus limites.
Não sou uma corredora nem treino como uma… sou somente uma praticante do esporte que está conseguindo ver sua beleza e seu significado. A competição não é com os outros e sim comigo mesma. Quero me superar sim, sempre, mas também não me cobro ao ponto de ultrapassar o limite da diversão e do prazer. Vai ser difícil, vai doer, as suas pernas vão cansar e nessa hora é a sua cabeça que vai ter que te levar até o final, só precisa querer.

Beijos

Corrida Athenas 6k- bela e fit by may

Mayra Dancini

Química, capricorniana, sensível e apaixonada pela vida e pela beleza dos detalhes a nossa volta. Gosto de aprender como funciona nosso corpo, nosso universo e praticar a arte da maquiagem. Acredito que nada substitui o amor, o respeito, uma boa comida, o sorriso sincero e uma vida ativa e equilibrada.

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